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O Prana, a energia, é representado
pelo Sol, e a matéria é representada pela Lua.
Esses opostos, energia e matéria, criaram juntos o
universo.
Os estudantes fizeram outra pergunta: Quantas "divindades" amparam
uma pessoa, e qual delas é a principal e mais gloriosa?
Eis a resposta do professor: Quantas divindades (impulsos
inteligentes) controlam o corpo e qual a principal dessas?
As divindades responderam todas ao mesmo tempo. O espaço
disse: "Eu sou a principal", e o mesmo disseram
o Ar, o Fogo, a Agua e a Terra, as funções
da Fala, da Mente, da Visão, da Sensação
e da Audição. Cada uma delas alegava ser a
responsável por manter a integridade do corpo e por
permitir que ele funcionasse.
O chefe Prana disse a essas divindades: "Não se
iludam. Sou eu quem não permite que o corpo se desintegre." As
outras divindades estavam descrentes. Notando essa atitude,
o chefe Prana começou a estender-se acima do corpo.
De imediato, todos os outros o acompanharam. Em seguida, o
Prana permaneceu tranqüilo e todas as outras divindades
ficaram tranqüilas. Percebendo a realidade, todas as divindades
começaram a louvar o Prana como seu chefe. A verdade é que,
assim como os raios da roda de uma carroça se fixam
no centro da roda, tudo gira em torno do prana.
O mestre então
ampliou essa idéia: o prana reside
com os órgãos e mantém o corpo numa
unidade. O prana é adorado como aquele que cria, destrói
e preserva todo o universo. Ele aparece como o Sol, a chuva,
o fogo, o ar, como a força que controla todo o mundo
e os céus. O prana é louvado como a entidade
que a tudo permeia, e como o senhor de todas as criaturas.
Mais uma vez, um estudante perguntou: "De onde vem esse
prana, como ele penetra no corpo e como ele sustenta o mundo
psíquico?" O mestre respondeu: "O prana
vem do Eu (da consciência pura). Ele é atraído
para o corpo pela mente e se divide em cinco forças
que governam o corpo. O prana funciona como
um rei, que distribui o trabalho entre seus ministros — nesse
caso, cada um dos cinco pranas controla uma região
do corpo."
Essa história, simbólica, explica a natureza
e as ações do prana. Quase todas as antigas
escrituras usam metáforas e símbolos para explicar
o conhecimento do sábio, derivado de suas percepções
imediatas da realidade. Os sábios antigos usavam um
método subjetivo para observar e perceber a realidade,
tal como os cientistas hoje usam métodos objetivos
para estudar a realidade. Ambos são métodos
válidos,
mas, uma vez que a ciência precisa ainda reconhecer
o prana, nosso manual seguirá a sabedoria dos antigos
yogues ou videntes que, muito tempo atrás, já conheciam
os segredos do prana.
O prana é a energia vital do universo. Os seres estão
vivos devido ao prana. As tradições apresentam
nomes diversos para o prana: força vital, ki, chi, orgônio,
e simplesmente "energia". Embora muitas vezes entendido
como respiração, prana não é respiração;
o prana cavalga na respiração, mas é diferente
da res-piração. O prana penetra no corpo e sai
dele seguindo o movimento da respiração. Tal é a
natureza do prana: movimento.
O termo prana vem do sânscrito; significa antes (pra)
da respiração (ana).3
O prana é neutro; é pura
energia, sem quaisquer qualidades. Essa energia pura pode adquirir
qualquer qualidade sem perder sua pureza; é o que ocorre
conosco, por exemplo, quando vestimos nossas roupas: ao fazê-lo,
nós nos adaptamos a um modo de vestir, mas, ainda assim,
continuamos sendo a mesma pessoa.
O prana pode ser usado para facilitar a meditação,
o sexo, o combate ou a cura. Ele dá vitalidade ao corpo
físico e nos dá também forças para
pensar. Prana é energia física e mental: "O
movimento do pensamento na mente surge do movimento do prana;
e o movimento do prana surge em função do movimento
do pensarnento na consciência. Eles formam assim um ciclo
de dependência mútua, como o movimento das ondas
e das correntes marítimas".4
Essa citação
encontra-se numa antiga escritura, uma das mais respeitadas
na Índia, e tem mais de 5000 anos. Portanto, a informação
apresentada aqui não é nova. Existe há milhares
de anos toda uma ciência construída sobre os efeitos
do prana.
Tradicionalmente, a yoga ensina que existem cinco tipos de
prana no corpo: o prana, o apana, o samana, o udana e o vyana.
Existe também o Prana cósmico que a tudo permeia,
e que é a fonte dos cinco pranas confinados ao corpo,
cada qual com uma função específica. Dos
cinco pranas do corpo, em geral se admite que o prana e o apana
são os mais importantes. O prana repousa no coração
e na cabeça; o apana repousa na base da coluna e é conhecido
como a "respiração para baixo". Juntos,
o prana e o apana formam a polaridade da respiração.
Essas duas forças são, na verdade, o que dá força à respiração.
O prana é o aspecto solar (masculino) e o apana, o aspecto
lunar (feminino). Dos outros pranas, o samana repousa na região
do umbigo e é conhecido como a "respiração
para cima"; o udana concentra-se na garganta porém
move-se para cima e para baixo no corpo todo; e o vyana se
espalha pelo corpo todo, mantendo-o unido.5
A cura prânica é um ramo da yoga, que é uma
das ciências védicas. O que é exatamente
a yoga? Há muitos ramos da yoga. Alguns dizem respeito
ao corpo, outros à mente, alguns têm poderes ocultos,
e alguns dizem respeito à percepção de
si mesmo ou à iluminação.
Originariamente, os antigos videntes eram mestres em todas
as ciências conhecidas: Ayurveda (medicina), posturas
de yoga, meditação, matemática, astrologia,
geologia, guerra e religião. Essas eram as chamadas
ciências védicas. Normalmente, um sábio
se especializava em um campo, mas esperava-se que ele conhecesse
os fundamentos de todos os oito ramos de conhecimento. Ayurveda,
hatha-yoga e pranayama estavam relacionadas com corpo físico.
A cura prânica é originária desse ramo
da tradição védica.
Em geral, a yoga é entendida como um método pelo
qual se atinge uma "união" com o divino ou
com Deus. Embora seja possível praticar o hatha-yoga
sem estar ciente do divino, isso não é yoga em
seu sentido mais puro, mas simplesmente um programa de exercícios
indiano para conservar a saúde física. Se, entretanto,
praticarmos o hatha-yoga conscientes de que a mente, o prana
e o corpo se originam de uma mesma fonte, para nós desconhecida,
isso é yoga em seu significado mais puro.
Yoga não é o método nem a prática;
na verdade, yoga é nossa busca pela fonte desconhecida.
A cura prânica é apenas um método; ela
também pode ser usada como yoga, para nos levar à fonte
de nossa força vital e de tudo o que existe.
Yoga,
é a tradição
de sábios e textos que faz a pessoa transcender o
corpo, a manifestação, e atingir o inalcançável,
que está além tanto do que é manifesto
quanto do que é não-manifesto. "Eu saúdo
o Eu Supremo. Foi o Eu que primeiro me ensinou o conhecimento
brilhante do Hatha-yoga. O Hatha-yoga é como uma escada:
aquele que desejar pode subir até o estado mais elevado
de Raja-yoga".6
A cura prânica é uma abordagem não-violenta
da saúde e qualquer pessoa pode aprendê-la. Não
agride o corpo, a mente nem as emoções. Não
tem nenhum sistema, nenhuma classificação e não é nociva à saúde.
Energizando o corpo, o prana o revitaliza naturalmente, deixando-o
apto para lutar contra as doenças e para conservar a
saúde. Esse é um método de cura tão
antigo quanto a própria humanidade, um método
totalmente natural para a raça humana. A cura prânica é uma
abordagem holística; em outras palavras, ela revitaliza
todo o organismo humano — corpo/mente/emoções.
Para ser mesmo eficaz, a verdadeira cura deve trabalhar não
apenas com a doença manifesta, mas com a raiz do problema.
A RELAÇÃO ENTRE 0 PRANA E A MENTE
Tal qual a mente, o prana tem um movimento natural. O que é a
mente? A mente é o processo pelo qual os pensamentos
se desenvolvem e se desvanecem, ou aparecem e desaparecem,
na consciência, habitualmente conhecido como o ato
de "pensar".
A mente é uma seqüência de pensamentos.
A mente e o prana são dois aspectos do mesmo fenômeno;
ambos existem juntos e são inseparáveis. O
prana é o princípio do movimento e a mente é o
princípio da inteligência. Portanto, todas as
ações requerem prana, inclusive a ação
de pensar. Quando tornamos a respiração mais
lenta, os pensamentos também diminuem seu ritmo. O
pranayama yoga, eficiente técnica de meditação,
usa essa compreensão para aquietar a mente em contínua
atividade. "Pelo controle da energia vital, a mente
também é refreada: assim como a sombra desaparece
quando a substância foi eliminada, a atividade mental
cessa quando a energia vital é refreada."7
Essa compreensão é a base de toda cura esotérica.
As conseqüências do fato de haver uma completa
interdependência entre a mente e a energia são
tão amplas, que poucos de nós nos damos conta
de seu potencial.
O termo consciência, como o usamos aqui, é sinônimo
de Existência, de Fonte, de Eu, de Amor ou de Deus.
A mente é, com freqüência, confundida com
Consciência. A mente é aquilo de que a Consciência
tem notícia. O que é então consciência? "Podemos,
quem sabe, defini-la nestes termos: A Existência, ou
consciência, é a única realidade. A Consciência
acompanhada do ato de despertar, chama-se estar desperto.
A Consciência acompanhada do ato de dormir, chama-se
dormir. A Consciência acompanhada do ato de sonhar,
chama-se sonhar. A Consciência é a tela na qual
as figuras surgem e se desvanecem."8
Atreya - Prana - O Segredo da Cura Pela Yoga
2 Eight Upanishads, Prasna
Upanishad, trad. para o inglês de Swami Gambirananda
(Calcutá: Advaita Ashrama, 1992),
pp. 407-503.
3 Sri
Nisargadatta, I Am That (Bombaim, Índia:
Chetana, 1991), Ap. 3.
4 Swami Venkatesananda, trad., Yoga Vasistha: The Supreme
Yoga (Shivanandanagar, Uttar Pradesh,
India: Divine Life Society, 1991), p. 313, seção 5, capítulo
78, verso 14.
5 Sir John Woodroffe, The Serpent Power (Madras,
India: Ganesh & Co.,
1989), p. 77.
6 Kevin e Venika Kingsland, trad., Hathapradipika (Inglaterra:
Grael Communications, 1977), p. 15, verso 1.
7 Swami Venkatesananda, Yoga Vasistha: The
Supreme Yoga, p. 229, seção 5, capítulo
13, verso 83
8 Sri Ramana Maharshi, Be As You Are, org. David Godman (Nova
Delhi: Penguin Books India, 1992), p. 14 |
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