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O
movimento de todo o corpo, a postura da cabeça e do tronco,
a posição dos braços e a modulação
das mãos assumem o lugar da palavra. Alegria, triunfo,
solicitação do amor, saudade, resignação,
ira, medo, e assim por diante, ganham expressão através
de gestos estabelecidos (mudras) precisos. A presença
das mudras
é tão significativas na tradição
indiana que um dançarino é capaz de expressar
uma lenda por completo apenas através das posições
das mãos e dos movimentos dos olhos. Ao analisar as
figuras de seus deuses, podemos desvendar suas principais atribuições
através de seus gestos e posturas; para exemplificar,
tomaremos as representações do Buda indiano.
A
arte budista primitiva não representava plasticamente o Buda em respeito
a um de seus princípios, segundo o qual a forma -
o mundo material - não era importante. Mas, em 325
a.C., os exércitos de Alexandre Magno invadiram a Ásia,
trazendo consigo os hábitos dos gregos, para quem
não era possível adorar um deus do qual não
tivesse uma imagem. Envolvidos pela cultura grega, os artistas
da região Gandhara (ao Norte do Paquistão)
criaram Budas à imagem e semelhança dos Apolos
gregos, respeitando porém, alguns traços descritos
nas escrituras sagradas, como a urna, os lóbulos longos
das orelhas e o crânio proeminente. A urna é
representada por um ponto ou pedra preciosa entre as sobrancelhas
e simboliza o terceiro olho ou o olho da sabedoria; os lóbulos
alongados indicam o uso de brincos pesados e preciosos, abandonados
por Buda num gesto de renúncia às riquezas
materiais; a protuberância craniana, interpretada às
vezes como um penteado diferente pela cultura ocidental,
simboliza sabedoria.
A
partir da iconografia recolhida sobre Gautama Buda, ficaram
conhecidos seis (6) gestos típicos de mãos na representação
do Deus.
• Segundo a lenda,
o gesto da meditação (Dhyani-Mudrá)
reproduz sua atitude quando, sentado, sob a árvore
bodhi (figueira - também conhecida como "árvore
da meditação"), mergulhou em profundo
estado meditativo. As mãos repousam relaxadas, uma
dentro da outra, enquanto a consciência do presente é
suspensa. Através dessa mudra, Gautama Buda chegou
ao nirvana, estado superior onde toda ansiedade desaparece.
Os manuscritos relatam que ele conservou a postura por mais
de quatro (4) semanas, com o corpo completamente imóvel.
• A segunda mudra é conhecida
como gesto da iluminação ou gesto do apelo
das testemunhas (Bhumisparsha-Mudrá). A mão
direita toca o solo com as pontas dos dedos, enquanto as
costas da esquerda repousam sobre os pés cruzados
um sobre o outro. Depois de atingir o nirvana, Buda teria
sido tentado por Mara, o Deus do Mal, que ofereceu suas belas
filhas, o domínio sobre o mundo, e até
mesmo sua própria vida, para que pudesse experimentar
também o nirvana. Ante as negativas de Buda, tentou
convencê-lo do quão difícil seria transmitir
seus conhecimentos à humanidade cheia de ignorância,
ódio e desconfiança. Este apelo encheu de dúvidas
o coração de Buda, mas resistindo à tentação,
ele se propôs a não matar a fome de apenas um,
e sim de todos - doravante atuaria como um mestre, para que
outros pudessem encontrar a salvação. Numa última
tentativa, Mara propôs-lhe que, como senhor de um mundo
imaterial, Buda não teria direito sequer ao pequeno
pedaço de terra sobre o qual estivera sentado. Mas,
por suas boas ações em vidas anteriores, o
mestre havia conquistado algum direito sobre aquele terreno.
Assim, tocando no solo com a mão direita ele convocou
a terra por testemunha; uma divindade se ergueu confirmando
que ele havia cumprido com seus deveres e tinha direito de
permanecer na Terra para anunciar sua doutrina.
• A terceira mudra é conhecida
como gesto de pregação ou gesto de girar a
roda (Dharma-chakra-Mudrá). As duas mãos se
encontram erguidas diante do peito, a esquerda acha-se voltada
para o corpo, um pouco mais elevada que a direita, na direção
oposta. Os polegares e indicadores se tocam formando um circulo.
O gesto sugere que Buda, pela primeira vez, colocara em movimento
a "roda da doutrina", proferindo seu famoso discurso
de Benares, no bosque das gaselas, aos cinco díscipulos
que o haviam abandonado.
O PODER CURATIVO DAS MUDRAS
As
mudras são usadas como método
de cura na arte curativa indiana, despertando e/ou harmonizando
as energias dos chacras. Tanto na Índia como na China,
pés e mãos estão em estreita ligação
com os principais órgãos do nosso corpo.
Há uma correspondência entre
os dedos, os chacras e os cinco (5) elementos cósmicos.
DEDO |
CHACRA |
ELEMENTO |
Polegar |
Solar |
Fogo |
Indicador |
Cardíaco |
Ar |
Médio |
Laríngeo |
Espaço
(éter) |
Anular |
Básico |
Terra |
Mínimo |
Sexual |
Água |
Ao
tocar o mínimo, o elemento água é devolvido
ao organismo. Boca seca, olhos vermelhos e secos, mau funcionamento
dos rins são características da falta desse
elemento no corpo. Essa mudra também estimula o paladar.
Quando
o anular toca o polegar, fortalecemos as unhas, os cabelos,
os músculos,
ossos, revigoramos a pele e desenvolvemos o olfato.
O
contato do dedo médio com o polegar
estimula a audição.
A
união entre o polegar e o indicador
reaviva as energias vitais, o tato, o sistema nervoso e o
cérebro.
A
prática regular dessa mudra permiti
curar insônia, falta de memória e depressão,
aumenta a inteligência e revela novos horizontes espirituais.
O toque do polegar direito com o esquerdo
aumenta o calor do corpo e o apetite.
A
postura prana mudra, onde o polegar toca simultaneamente
o mínimo e o anular, ativa apele,
a língua, o nariz e os pulmões, facilitando
a absorção do prana (energia vital).
Já a apana mudra (onde anular e médio
são tocados ao mesmo tempo pelo polegar) garante a
eliminação do prana reabsorvido: estimula os
rins, limpa a bexiga, regulariza a menstruação
e elimina em forma de suor o excesso de água do corpo.
Cada
mudra pode ser praticada por até 45
minutos numa postura de meditação ou mesmo
deitado.
Posturas
com a Mãos
Os
Mudras são posturas feitas com
as mãos usadas na Ioga na dança e nas imagens
sagradas do Budismo para despertar e harmonizar os centros
energéticos do corpo. Usados na iconografia Buddhista
e no Vajrayana, cheios de simbolismo e beleza, esses gestos
criam uma conexão do praticante com a energia do Buddha
que é invocado pela repetição dos mantras.
Eles podem ser praticados a qualquer hora, trazendo calma
e concentração para sua vida.
Abhaya
Mudra
Gesto do Destemor. Também chamado de O Gesto da
Renúncia.
O gesto da proteção; os dedos da mão
direita ficam levantados. Associado à benevolência
do Buddha Shakyamuni e ao Dhyani-Buddha Amoghasiddhi.
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Bhumisparsa
Mudra
Um chamado à Terra para testemunhar O Gesto da
Iluminação
A mão direita com a ponta dos dedos pressionando
a terra. A posição da mão esquerda
simboliza meditação. Juntas, elas representam
a superação de Buda os obstaculos enquanto
meditava no vazio. Associado à firmeza inabalável
do Buddha Shakyamuni e ao Dhyani-Buddha Akshobhya.
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Bhutadamara
Mudra
Gesto de impedir o Mal
O gesto da proteção.
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Buddhashramana
Mudra
Gesto de Além da Miséria. Também
chamado o Gesto da Renúncia
O gesto da renúncia, da eliminação
do apego.
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Dharmacakra
Mudra
Gesto do Ensinamento
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Dhyana
Mudra
Gesto da Meditação
O canal nervoso associado com a mente da Iluminação
(Bodhichitta) passa pelos polegares. Assim, juntando
os dois polegares nesta postura, com a mão direita
sobre a esquerda, é de um significado auspicioso
para o futuro desenvolvimento da mente de iluminação.
Associado à meditação do Buda Shakyamuni
e do Dhyani-Buddha Amitabha.
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Namaskara
Mudra
Gesto da Prece
O Mudra da oração e da saudação.
A simples união de suas mãos no centro
do peito simboliza a luz do coração que
se irradia para a pessoa que está à sua
frente e também para o ser divino que você
é. Cumprimenta-se a pessoa com esse gesto dizendo
a palavra NAMASTÊ, que quer dizer: "O deus
que habita em mim saúda o deus que existe em você."
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Tarjani
Mudra
Gesto de impedir o Mal
O gesto da eliminação de negatividades.
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Varada
Mudra
Gesto da Compaixão
O gesto da realização dos desejos; os dedos
da mão direita ficam abaixados. Associado
à generosidade e à compaixão do
Buddha Shakyamuni e ao Dhyani-Buddha Ratnasambhava.
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Vitarka
Mudra
Gesto do Debate
O gesto da explicação; as pontas dos dedos
polegar e indicador da mão direita ficam se tocando.
(Em uma variante, a mão direita faz o Abhaya-mudra
e a mão faz o Varada-mudra.) Associado às
explicações do Buddha Shakyamuni e ao Dhyani-Buddha
Vairochana.
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Gesto
de Girar a Roda do Dharma e Meditação
O gesto da mão direita representa girar a roda
do dharma, enquanto que o da mão esquerda simboliza
meditação. Os dois juntos simbolizam ensinar
o Dharma enquanto se medita no vazio.
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Gesto
de Girar a Roda do Dharma
O polegar e o dedo indicador da mão direita representam
sabedoria e método combinados. Os outros três
dedos levantados simbolizam o ensinamento da Doutrina
Budista, que leva os seres comuns aos caminhos dos seres
das três habilidades. A posição da
mão esquerda simboliza os seres das três
habilidades, que seguem o caminho combinado do método
e sabedoria. Associado ao ensinamento de Buddha Shakyamuni,
ao Buddha Maitreya e, às vezes, é utilizado
em representações dos Dhyani-Buddhas Vairochana
e Amitabha.
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Gesto
da Suprema Realização e Meditação
O gesto da mão direita simboliza a concessão
da suprema realização. O gesto da mão
esquerda simboliza meditação. Juntos, eles
representam o poder de Buda de conceder realizações
supremas e gerais à seus discípulos, enquanto
Ele medita no vazio.
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