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NADIS E MERIDIANOS -
Os nadis são, portanto, linhas de força que não
devem ser confundidas com os nervos do corpo físico,
embora estejam em relação a eles como os chakras
com os plexos e órgãos do corpo físico.
São condutores de energia. Os estudos de Motoyama
indicam que eles podem ser comparados aos meridianos sobre
os quais trabalha a acupuntura. Esta é também
a opinião de Coquet.
No corpo etérico, denominado também pelos teosofistas
de corpo físico invisível, porque nasce com o
corpo físico e com ele desaparece, os nadis se apresentam
como se fossem milhares de finos filamentos de gás néon,
entrecruzando-o em toda sua extensão (3). O número
deles difere na literatura hindu, pelo que se atribui um caráter
esotérico às quantidades apontadas: 72.000, 550.000,
720.000, etc. Os mais importantes são o Sushumna, Ida,
Pingala, Gandhara, Hastajihva, Kuku, Sarasvati, Pusha, Sankhini,
Payaswini, Varuni, Alambhusha, Vishvodhara, Yasasvíni.
Os três primeiros são os mais importantes, sendo
que o Sushumna domina a todos os demais.
IDA, PINGALA, SUSHUMNA -
Para que se possa ter uma noção desses três nadis ao longo
da coluna vertebral, tomemos uma série de números "8" e
os coloquemos em posição horizontal, empilhando-os
ao longo da coluna vertebral; teremos então uma figura
semelhante às serpentes no caduceu de Mercúrio.
O nadi que sobe pela esquerda é Ida; o da direita
Pingala; não estão porém dispostos de
forma paralela, eles entrecruzam-se como nos referimos acima
(4). No centro corre um canal: é o nadi Sushumna.
Ao longo da coluna vai formando uma série de confluências,
das quais a mais importante é a existente no chakra
frontal, onde desembocam. Ida e Pingala estão sempre
ativos, mas o Sushumna permanece inativos, pois o prana ainda
não circula através dele (5). No interior do
Sushumna acham-se três outros nadis o Vajna, Chitrini,
dentro do qual se encontra o Brahma nadi, ao longo do qual
se elevará a energia Kundalini.
NADI = NATUREZA -
Coquet esclarece que: "Cada
nadi tem uma natureza quíntupla e encerra cinco fibras
de energia estreitamente ligadas no interior de uma bainha
que os recobre. Estes filamentos de energia são unidos
uns aos outros em relações transversais." É preciso
entretanto notar que cinco tipos de energia formam uma unidade
e que, tomados em seu conjunto, eles formam a própria
bainha etérica. É, diz-se, através destes
cinco canais que correm os cinco pranas maiores, vitalizando
assim todo o organismo humano. Não existe uma só parte
do corpo que não possua uma rede de nadis subjacente à sua
forma.
PRANA - ESPÉCIES - As cinco diferenciações
do Prana no corpo humano são:
- PRANA: estende-se do nariz ao coração e influencia
particularmente a garganta e a palavra, o coração
e os pulmões;
- SAMANA: estende-se do coração ao plexo solar
e age, sobretudo, sobre o poder de assimilação
do alimento e da bebida. Está deste modo em estreita
relação com o estômago;
- APANA: é particularmente ativo desde o plexo solar
até a planta dos pés e age sobre os órgãos
de eliminação, de dejeção e da
geração. Seu poder está pois fortemente
unido aos órgãos geradores e eliminadores;
- UDANA: está situado entre o nariz e a parte superior
do crânio; está em relação com
o cérebro, os olhos e o nariz.
-VYANA: corresponde à soma total das energias prânicas
tal como é repartida através de todo o corpo
por intermédio de milhares de nadis e nervos, assim
como dos canais sanguíneos, das veias e das artérias" (Coquet
- Les Çakras - L"anatomie occulte de L"homme,
Paris, 1982, p. 43).
Descritos por Swami
Satyananda Saraswati Swami Satyananda Saraswati é um guru indiano muito respeitado que escreveu
inúmeros trabalhos sobre a ioga tântrica e sobre
os chakras. Nasceu no Himalaia em 1923 e tomou-se discípulo
de Swami Shivananda em 1947. Depois de doze anos de prática
espiritual com seu mestre, passou nove anos peregrinando
pela Índia a fim de aperfeiçoar seu sadhana.
Em 1964, estabeleceu-se em Monghyr e fundou a Bihar School
of Yoga. Assim, sob sua orientação surgiram
muitos centros de ioga e ashrams por todo o mundo.
Swami Satyananda extraiu
a essência da prática
da ioga tradicional e criou seu próprio sistema de
tantra para atender às necessidades dos tempos modernos.
Nosso Institute for Religious Psychology (Instituto de Psicologia
Religiosa), em Tóquio, mantém um intercâmbio
com sua organização, por meio do qual utilizamos
suas doutrinas iogues; além disso, ele tem plena liberdade
para consultar nossas pesquisas científicas.
Segundo Satyananda,
a palavra chakra refere-se a um centro de energia psíquica no corpo astral, centro este que
controla certas habilidades elevadas ou paranormais. Também
afirma que cada chakra se relaciona diretamente com um determinado
sistema ou órgão do corpo físico, inclusive
o cérebro. Muitos desses centros estão inativos
ou num estado de atividade mínima nos seres humanos
comuns. No curso natural da evolução, tais
centros tomam-se gradualmente mais ativos até atingir
todo seu potencial. Contudo, a ciência da ioga oferece
um método seguro de encurtar, de forma extraordinária,
este longo processo de evolução - o desenvolvimento
sistemático e o despertar dos chakras. Satyananda
enfatiza que o principal objetivo de se desenvolver os chakras é justamente
esta aceleração do processo evolutivo.
1º - CENTRO BÁSICO
OU FUNDAMENTAL - MULADHARA
A palavra muladhara
tem o sentido de “raiz” (mula)
e de “base” (adhara); é, portanto, a raiz,
o fundamento dos sete chakras. Satyananda sugere que mula é entendido
melhor como mula-prakriti, a base transcendental da natureza
física na tradição Sankhya da filosofia
indiana. (Prakriti é a matéria caracterizada
como feminina, em contraste com o masculino purusha - espírito.,
prakriti é a origem primordial de todo o processo
de evolução natural, o princípio ao
qual a matéria retoma depois de desintegrada. responsável
por todos os aspectos do homem - tanto físico como
material e psicológico - inclusive pela consciência
e inconsciência. O muladhara é a sede de mula-prakriti,
a grande Shakti; ali jaz a força transcendental pronta
para ser ativada.
No corpo físico, o chakra muladhara localiza-se no
períneo (a região entre o ânus e os órgãos
genitais). Ligado diretamente aos testículos, está associado
aos nervos sensoriais que os alimentam. No corpo feminino,
localiza-se no colo do útero. As antigas escrituras
iogues associam o muladhara ao elemento terra, cujo atributo
principal é o olfato; assim, no nível físico
o muladhara está ligado ao sentido do olfato e com
o nariz.
Segundo a tradição, o muladhara é representado
por um lótus de quatro pétalas vermelhas; cada
uma delas contém uma letra sânscrita (Sam, Vam,
Sham e Sam); cada letra representa as vibrações
individuais dos nadis correspondentes. O mantra bija deste
chakra é Lam, o som que representa o elemento terra.
A divindade feminina reinante é Dákini, terrível
e de olhos vermelhos; seu correlativo masculino é Ganesha,
encarnado na forma de um elefante. O triângulo invertido
no diagrama do muladhara simboliza shakti, a energia criadora.
Conforme exposto anteriormente, o Shiva-linga ou a forma
fálica no interior do triângulo representa o
corpo astral. À serpente enrolada em volta dele é o
símbolo da kundalini. A kundalini apoia-se num elefante,
cujas sete trombas representam os sete minerais indispensáveis
para o sustento do corpo físico. O quadrado amarelo
dentro do pericarpo que abriga esses símbolos é o
yantra - símbolo de uma energia psíquica especial
- do chakra muladhara. Esta configuração significa
o elemento terra e seu tipo correspondente de energia.
Satyananda explica
a importância dos yantras da seguinte
maneira: a existência humana compõe-se de muitos
corpos, cada um contendo diversos centros nervosos, hemoglobina,
oxigênio, carbono, etc.; o corpo astral - o corpo psíquico,
o grande inconsciente - compõe-se de muitos aspectos
ou dimensões; uma delas é um agregado de símbolos
geométricos; outra compreende vibrações
sonoras - o mundo dos mantras. Quando uma pessoa entra num
estado de meditação profunda, através
da concentração num determinado chakra, ela
transcende a consciência do ego; entra realmente num
reino onde existem apenas vibrações sonoras
de um único mantra, nada mais. Da mesma forma, é possível
experimentar a dimensão onde não há mais
nada além do padrão geométrico – o
mundo dos yantras.
Com base em tal experiência, Satyananda fala da realidade
do mantra e do yantra. "Yan" significa "conceber" e "tra" significa "liberar";
ambas têm o mesmo significado essencial. Concentrando-se
num determinado yantra, o indivíduo percebe sua consciência
conforme um padrão preestabelecido. À medida
que aumenta a concentração, o yantra é ativado
e a consciência assume gradualmente sua forma simbólica.
Uma vez ocorrida a unificação total, libera-se
então a mente. Cada um dos sete chakras possui um
yantra, Através da concentração sobre
um determinado chakra, experimenta-se a dimensão mística
da personalidade onde existem os yantras e, mais especificamente,
o princípio do próprio chakra. Uma das mais
importantes funções do guru é escolher
o chakra apropriado para o indivíduo se concentrar,
ato que se executa pronunciando-se o mantra correspondente
e visualizando-se o yantra. Em minha opinião, o guru
baseia esta sua escolha nas características cármicas
da pessoa. O calma das vidas passadas cria uma série
de padrões de elementos físicos e psicológicos.
Na dimensão do yantra, esses padrões podem
ser observados em forma geométrica. O carma da pessoa
tende a ser alterado e purificado de uma forma mais eficiente
através da ativação do chakra adequado
com sua penetrante influência em todos os níveis
do ser humano. Um dos melhores métodos de ativar o
chakra é a estimulação direta do reino
yãntrico da consciência através da visualização
do yantra.
Conforme já verificamos, a kundalini está adormecida,
feito uma cobra enrolada no chakra muladhara. Dentro do muladhara
existe uma formação semelhante a um nó,
conhecida como o Brahma granthi. Quando este nó é desfeito,
shakti, o poder da kundalini, começa a subir pelo
nadi sushumna, no interior da espinha dorsal. Existem dois
outros granthis ao longo do sushumna: o granthi Vishnu no
chakra anahata, e o granthi Rudra no ajna. Esses nós
psíquicos formam uma barreira que impede a elevação
da kundalini, porém uma vez desatados, o poder serpentino
pode continuar sua subida, e o praticante recebe muita sabedoria
e poder.
Quando a kundalini
se ativa como resultado da prática
do ioga ou de outras disciplinas espirituais, ocorre um alvoroço
explosivo procedente dos domínios da inconsciência.
Parece-se com a irrupção de um vulcão,
onde a lava escondida em seu interior é expelida para
fora. Tal descarga pode conter o carma de muitas encarnações
passadas, extraído subitamente do depósito
inconsciente do muladhara. Mais uma vez, não se esqueça:
o chakra ajna deve ser ativado antes de qualquer outro, assim
essas poderosas forças inconscientes podem ser controladas
com segurança.
A kundalini possui
duas qualidades contrastantes. Enquanto jaz dormente no
muladhara, ela existe apenas na condição
inativa e além dos limites de tempo e espaço.
Todavia, quando ativada, transforma-se num tipo de força
material, sujeita às leis da dimensão física.
O mesmo acontece com o mula-prakriti universal que, embora
transcenda o tempo e o espaço antes da criação
da natureza, adapta-se cada vez mais a essas leis à medida
que avança no processo evolucionário. Quando
o muladhara desperta, ocorre um grande número de fenômenos.
A primeira coisa que muitos praticantes experimentam é a
levitação do corpo astral. Algumas pessoas
têm a sensação de estarem flutuando no
espaço, deixando o corpo físico para trás.
Isso ocorre devido à energia da kundalini, cujo impulso
de ascensão faz com que o corpo astral se desprenda
do físico, deslocando-se um pouco para cima. Esse
fenômeno limita-se à dimensão astral
e possivelmente à
mental, e é diferente da levitação conhecida
normalmente - a deslocação real do corpo físico.
Além da levitação astral, às
vezes alguns experimentam um fenômeno psíquico
tal como a clarividência ou a clariaudiência.
Outras manifestações comuns são os movimentos
ou o aumento de temperatura na região do cóccix,
e a sensação de algo se movendo vagarosamente
para cima na coluna vertebral. Tais sensações
resultam na ascensão do shakti, a energia da kundalini
ativa. Em muitos casos, quando o shakti alcança o
chakra manipula, ele começa a descer, de volta para
o muladhara. Muitas vezes o praticante tem a sensação
de que a energia sobe até o alto da cabeça,
porém na maioria das vezes apenas uma pequena quantidade
de shakti é capaz de ultrapassar o manipula. Necessário
tentar repetidas vezes para que a kundalini se eleve mais
além.
Segundo Satyananda,
uma vez ultrapassado o manipula, não
se encontra mais nenhum obstáculo sério. Porém,
surgem muitos problemas durante o estágio em que a
kundalini ativa apenas os chakras muladhara e svadhishthana.
O despertar do chakra muladhara libera todos os tipos de
emoções reprimidas, de forma tão explosiva
que o praticante muitas vezes toma-se irritadiço e
psicologicamente instável. Um dia ele consegue dormir
um sono profundo por muitas horas, no outro pode acordar
no meio da noite, completamente sem sono, a fim de meditar
ou de tomar um banho. Ele também toma-se temperamental; às
vezes, pode estar comunicativo, bastante alegre para cantar,
e outras vezes tomasse facilmente enfurecido, a ponto de
atirar objetos nas outras pessoas. Durante esse estágio
de instabilidade emocional e psíquica, é imprescindível
a orientação de um mestre experiente e qualificado.
O despertar do chakra svadhishthana leva a um estado semelhante:
sentimentos de ira, tristeza, incerteza, insensatez, etc.
podem chegar a um ponto quase insuportável. Em vez
de tentar evitar esse período tumultuoso, o praticante
deve enfrentá-lo, porém com a supervisão
de seu guru. Tal torrente de sentimentos não é sinal
de degeneração ou de mau caráter, mas
sim parte integrante do processo evolucionário. Se
esses estágios forem evitados ou suprimidos, não
será possível mais nenhum tipo de progresso.
Existem outros chakras inferiores subordinados ao muladhara,
que são: Atara, Vitara, Sutara, Talatara, Rasatara,
Mahatara e Patala. Localizam-se entre o cóccix e os
calcanhares e controlam os instintos animais. Embora o chakra
muladhara esteja num plano superior em relação
a estes sete, nele predominam a paixão e os instintos
animais. Todavia, o shakti divino também reside nele;
assim, uma pessoa comum pode eventualmente entregar-se ao
domínio dos chakras inferiores, comportando-se instintivamente
como um animal. Entretanto, acreditasse que ela sempre retomará ao
muladhara ou a outros chakras humanos superiores. À correta
prática da ioga kundalini, no entanto, faz com que
seja impossível a kundalini descer para esses centros
animais devido à transformação do
shakti, no muladhara, em energia espiritual (ojas), o que
faz com que ele suba pelo sushumna.
Os três nadis principais - ida, pingala e sushumna
- originam-se no muladhara. Eles são os mais importantes
dentre os supostos 72.000 nadis no corpo (apenas uma fonte
dá uma estimativa de 300.000). Satyananda afirma que
embora a palavra “nadi” seja freqüentemente
traduzida por “nervo", ela deriva da raiz nadi, “fluir”.
Portanto, deveria ser interpretada como o fluxo de consciência
psíquica e não simplesmente como um conduto
físico para esse fluxo.
O nadi ida começa no lado esquerdo do chakra muladhara,
o pingala no direito, e o sushumna a partir do centro. No
interior do sushumna existe um nadi mais sutil, o chita e
dentro deste encontra-se o nadi Brahma, mais sutil ainda.
Portanto, o sushumna pode ser considerado um conduto para
dois fluxos de consciência. Partindo do muladhara,
o sushumna segue em linha reta até o chakra ajna.
O ida e o pingala sobem pela espinha num movimento espiral,
entrecruzando-se na altura de cada chakra. Finalmente, o
ida chega ao chakra ajna pela esquerda e o pingala pela direita.
Acredita-se que o ida controla as atividades mental e psíquica,
enquanto o pingala controla o prana e as diversas atividades
físicas. O fato de alternarem suas posições
ao atingir cada chakra, ajuda a manter o equilíbrio
entre a energia psicológica e a física, assegurando
a harmonia entre as atividades do corpo e da mente. Satyananda
afirma que se houver um desequilíbrio no fluxo de
energia nos nadis ida e pingala, o shakti não poderá fluir,
muito menos subir pelo sushumna.
2º - CENTRO SACRO OU SEXUAL (GENÉSICO) – SVADHISHTHANA
A palavra svadhishthana
significa literalmente “morada
própria”. Isso deixa claro que a morada original
da kundalini era neste chakra; subseqüentemente ela
passou a se estabelecer no muladhara. De fato, essa teoria
corresponde à migração física
dos testículos masculinos durante o período
vivíparo. Nos primeiros meses, eles se localizam dentro
do abdômen inferior; então descem gradualmente
para, afinal, se estabelecer na região da virilha.
Logicamente, os órgãos sexuais possuem estreita
relação com a energia shakti, e esse movimento é muito
semelhante ao da suposta migração da kundalini.
Segundo Satyananda, o svadhishthana localiza-se no cóccix,
ao lado do muladhara, e ambos estão ligados aos plexos
nervosos sacral e coccígeo.
A explanação de Satyananda sobre o svadhishthana
e o inconsciente é muito interessante. Ele afirma
que o centro do cérebro ligado ao svadhishthana controla
todas as fases da mente inconsciente, em particular o inconsciente
coletivo. Este inconsciente é mais poderoso do que
o individual e controla grande parte do comportamento humano,
embora muitas pessoas o desconheçam por completo.
Todas as experiências da vida cotidiana, quer sejam
importantes para a pessoa quer não, quer sejam conscientes
quer não, são registradas no centro da inconsciência,
o svadhishthana.
Portanto, este centro
encerra não apenas o carma
das vidas passadas, como também todas as experiências
e carmas relacionados que têm contribuído para
o processo da evolução humana. Parte deste
carma é guardado como semente adormecida, e outra
parte mantém-se ativa. Seja ele ativo ou inativo, é raro
que a consciência da pessoa esteja ciente de seu carma
Contudo, quando a kundalini ativa começa a subir,
acionando o processo de evolução psíquica,
ambos os carmas, o ativo e o dormente, são desencadeados
e invadem o consciente. Se a pessoa não puder analisar
ou controlar este carma acumulado no svadhishthana, então
a kundalini se retrai, voltando para o muladhara. Nesse sentido,
o chakra svadhishthana e o carma acumulado nele são
um grande impedimento para a evolução espiritual
do ser humano. A melhor forma de superar esta barreira é despertar
primeiramente o chakra ajna. O superconsciente que habita
o ajna está completamente ciente das atividades da
mente inconsciente do svadhishthana. e pode controlar todo
o carma desencadeado. À essa altura da explanação,
seria muito válido expor um resumo das opiniões
de Satyananda sobre a evolução humana.
A criação da vida se dá quando o prakriti
(a substância original) se manifesta, ordenado pela
consciência de purusha (espírito, o Ser Verdadeiro). À medida
que a matéria sofre uma série de transformações,
realizam-se sucessivos estágios na evolução
animal, e os sete chakras inferiores, que existem nos humanos
abaixo do muladhara, são, desenvolvidos e ativados
gradativamente. Quando esse processo atinge o chakra muladhara,
termina a evolução animal e começa a
humana. Os seis chakras superiores representam a extensão
completa do possível desenvolvimento humano. Segundo
a tradição tântrica tibetana, acima do
sahasrara existe urna outra série de sete chakras
que corresponde à evolução dos seres
divinos. Portanto, assim como o muladhara é considerado
o mais elevado dos animais e o mais baixo dos chakras humanos,
o sahasrara pode ser visto como ponte de transposição
entre a evolução humana e a evolução
divina.
No tantra, então, o processo infinito de evolução é descrito
em termos de chakras, desde o Absoluto o estado anterior à criação,
antes da interação do purusha e prakriti -
até a criação do mundo fenomênico,
os reinos animal e humano, a dimensão dos seres divinos
e assim por diante. Esse conceito tem por base a crença
no progresso da evolução espiritual de todas
as coisas criadas e reconhece a importância dos chakras
neste processo. Esse sistema é a base das tradições
esotéricas da ioga e do Budismo na Índia, no
Tibet e no Nepal.
À esse respeito, Satyananda contesta que grande parte
das experiências comuns passadas durante o processo
da evolução animal esteja guardada no interior
do chakra muladhara, em forma de tendências cármicas
e habilidades latentes. Por exemplo, muitas das atividades
físicas do homem - dormir, comer, evacuar - são
funções desenvolvidas durante o estágio
da evolução animal, e ainda operam devido atividade
desse chakra. Assim, o carma de natureza animal do homem
está ativo e em funcionamento no muladhara.
Em contrapartida,
o carma do svadhishthana está quase
que completamente inativo, sem qualquer forma manifesta.
Ele existe apenas como inconsciente coletivo, a força
cármica residual da evolução passada.
Nesse sentido, é ainda mais básico do que o
muladhara, a fonte primária do último carma
animal. Às forças contidas dentro do svadhishthana
são muito poderosas e irracionais, formam uma grande
barreira para a elevação da kundalini Muitas
vezes, a kundalini retornará para seu estado dormente
no muladhara, vencida pelo carma impenetrável do svadhishthana.
Entretanto, quando o último chakra for ativado e controlado,
o carma animal do muladhara será dominado, então
serão possíveis novos progressos.
Num sentido mais amplo,
dizem que, sempre que um chakra superior for ativado pela
kundalini, suas funções
e seu raio de ação começam a predominar
sobre os chakras inferiores. Todavia, o relacionamento entre
esses dois chakras é tão notável o tão íntimo,
que deve ser cuidadosamente observado.
O diagrama tradicional
do chakra svadhishthana contém
um crocodilo dentro de uma lua crescente. O crocodilo representa
as forças do inconsciente, o carma disforme. A lua
crescente formada por dois círculos, o maior possui
pétalas viradas para fora e no menor as pétalas
estão viradas para dentro. O círculo interior
representa a existência um tanto fantasmagórica
do inconsciente, apoiado nas costas do crocodilo.
À divindade reinante é Brahma o criador. Algumas
vezes ele é descrito como o Hiranyagarba, ‘o útero
de ouro”, pelo fato de todas as criaturas se originarem
dele. Satyananda considera Hiranyagarba como sendo o inconsciente
coletivo de svadhishthana. A entidade feminina deste chakra
Sarasvati, a deusa da sabedoria; ela aparece também
na forma de Rakini, a deusa do reino vegetal. O chakra svadhishthana
está diretamente ligado ao mundo vegetal, portanto é muito
importante seguir uma dieta vegetariana para poder despertá-lo.
As seis pétalas vermelhas deste chakra contam as sílabas
Lam, Ram, Yam, Mam, Bam e Bham. O princípio governante
(tattva) é a água (apas); o yantra é a
branca lua crescente e seu bija mantra é Vam.
O chakra svadhishthana
associa-se ao sentido do paladar, portanto seu “órgão de conhecimento” é a
língua. Seus “órgãos de atividade” são
os órgãos sexuais e os rins. Ele também
está ligado diretamente ao plexo nervoso prostático.
Quando o chakra svadhishthana é ativado, surgem as
seguintes habilidades paranormais: aumento do poder de intuição,
conhecimento do corpo astral e
capacidade de criar sensações de paladar em
si próprio ou em outras pessoas (um determinando gosto
na boca sem nada ter comido).
3º -
CENTRO SOLAR OU UMBILICAL - MANIPURA
Satyananda afirma
que o manipura localiza-se na coluna vertebral, atrás do umbigo. A palavra “manipura” quer
dizer “repleto de jóias”. No Tibet, este
chakra é conhecido como “manipadma”, ou
seja, ”lótus enfeitado com jóias”.
(Ver o famoso mantra de Avolokitesvara, o Bodhisattva da
Compaixão: OM MANI PADME HUM.) Segundo a tradição
budista, o manipura também é denominado hara,
que significa “partir”, porque dizem que o shakti
kundalini parte do manipura para sua ascensão. Conforme
já pudemos verificar, existe uma forte tendência
de a kundalini descer depois que atingir o chakra svadhishthana;
porém, depois de chegar até o manipura, dificilmente
isso ocorrerá. A tradição budista tibetana
ensina que o processo da verdadeira evolução
espiritual começa quando a kundalini é ativada
no manipura e começa sua ascensão. Na realidade,
os chakras muladhara e svadhishthana não são
descritos com muita clareza, provavelmente porque possuem
traços da vida animal. Na ioga tântrica o manipura
também é considerado o ponto de partida para
a mais elevada evolução humana. O tattva do
chakra manipura é o fogo, um elemento intimamente
ligado ao shakti e ao despertar da kundalini. No corpo físico,
acredita-se que o manipura seja o centro do “fogo digestivo” que
reduz o alimento a detritos (fezes) e extrai a energia vital.
Também conhecido como o chakra do sol, o manipura
relaciona-se com o plexo solar.
O despertar deste
chakra traz como conseqüência
aspectos positivos e negativos. Como vimos, quando a kundalini
chega até o manipura e nele se fixa, a possibilidade
de uma regressão permanente ao reino animal da consciência é mínima.
Satyananda atribui a isso o nome de “despertar confirmado”.
Aqui desperta a consciência de Jiva, a alma individual.
Oculto na consciência humana convencional, o jiva é a
consciência espiritual pessoal que abrange todas as
dimensões da evolução, desde a criação
da mais ínfima forma dos reinos da natureza até o
mundo dos seres divinos. Uma vez desperta esta consciência
no manipura, segundo Satyananda, ela nunca retomará às
dimensões animais. Contudo, de acordo com minha própria
experiência, parece que o shakti retoma algumas vezes
ao muladhara depois de atingir o manipura.
O aspecto negativo
disso é o fato de a superestimulação
do manipura poder diminuir o período de vida do praticante.
Isso ocorre porque o fogo ativado neste chakra queima o néctar
sustentador da vida, que dizem ser produzido no bindu – o
centro psíquico na parte posterior da cabeça,
representado por uma pequena e gelada lua crescente. Normalmente
esse néctar desce para uma glândula na garganta
(ligada diretamente ao chakra vishuddhi), onde é estocado.
Entretanto, o fogo do manipura consome o néctar, causando
um enfraquecimento acelerado do corpo.
O prana divide-se
em cinco sub-tipos ou “ventos” (vayu)
distribuídos em todo o corpo; cada um controla uma
região diferente, como segue:
Segundo Satyananda, a prática de unir conscientemente
o prana ao apana na região do umbigo é muito
importante para despertar o chakra manipura. Normalmente,
na inspiração, o prana segue da garganta para
o umbigo, e o apana desce do umbigo para o ânus Entretanto,
quando o apana é dirigido conscientemente para o muladhara
durante a inspiração, para encontrar-se com
o prana na região do umbigo, essas duas energias se
fundem, gerando uma grande força. Como o apana é elevado
a partir do muladhara, ele carrega consigo o shakti kundalini;
este shakti é fortalecido com a união apanaprana,
e a decorrente supercarga de energia flui diretamente do
umbigo para o manipura, na coluna vertebral. Dizem que o
muladhara associa-se com o reino físico; o svadhishthana
com o reino intermediário, entre a dimensão
física e a espiritual; e o manipura com o mundo espiritual
- o reino dos céus. Satyananda refere-se a esses três
chakras como os três primeiros dos sete planos possíveis
de evolução, que são:
Os três planos
principais BHU - terra
BHUVANA - espaço intermediário
SVAHA - céu
MAHAHA
JANANA
TAPAHA
SATYAM - a verdade
Conseqüentemente, as habilidades paranormais resultantes
do despertar do svadhishthana - telepatia, clarividência,
clariaudiência, etc. - podem não estar completamente
livres de interesse próprio, de negatividade, de emoção
pessoal e de outros atributos mentais inconvenientes. Isso
deve-se ao fato de a personalidade da pessoa continuar dentro
do segundo estágio de evolução, e o
ser egoísta vinculado à terra ainda manifestar
sua influência. Contudo, quando uma pessoa evolui além
dos limites da existência mortal e penetra no reino
do manipura, ela atinge um estágio de consciência
superior, repleto de infinita beleza, verdade e felicidade.
Este chakra tem sido descrito tradicionalmente como jóia
valiosa em diversas culturas para simbolizar estas qualidades
incomparáveis. Nele não existem traços
de preconceito ou de tendências pessoais. Assim, os
siddhis (poderes paranormais) obtidos quando este chakra é desperto
são de natureza benevolente e compassiva; entre eles
encontram-se a habilidade de localizar tesouros escondidos,
de dominar o fogo, a capacidade de ver o interior de um corpo,
de livrar-se de males, e a habilidade de enviar prana para
o sahasrara. Além disso, concentrar-se no chakra manipura
traz grandes melhoras para a digestão.
O lótus do chakra manipura possui dez pétalas
de cor azul-escuro e, em cada uma, está inscrita uma
letra sânscrita: Dam, Dham, Nam, Tam, Tham, Dam, Dham,
Nam e Pam. Elas compõem vibrações sonoras
e cada uma representa um nadi, A divindade feminina governante é Lakshini
(ou Lakini), de cuja boca gotejam gordura e sangue. A entidade
masculina é Vishnu. O tattva do manipura é o
fogo, cujo bija mantra é Ram; dentro do diagrama,
ele se apóia no dorso de um carneiro. Seu yantra é um
triângulo invertido, muitas vezes ilustrado por marcas
em forma de T, de cada lado.
4º - CENTRO CARDÍACO – ANAHATA
Dizem que o chakra
anahata localiza-se na parte do corpo astral que corresponde
ao coração. Portanto,
no corpo físico ele está ligado diretamente
ao coração e ao plexo nervoso cardíaco,
sendo muitas vezes denominado de “chakra do coração”.
Contudo, em contraste com a pequena área ocupada pelo
coração físico, o espaço astral
do chakra anahata é muito grande e completamente disforme.
Ele é escuro por natureza, porém quando ativado
toma-se muito brilhante. Dizem que nele reside a pureza.
A palavra anahata
significa “invicto” ou “inviolado”.
Manifesta-se nele o anahata nada, um som imaterial, contínuo,
que não tem começo nem fim. Para compreender
melhor a significação do chakra anahata, precisamos
primeiro sumarizar as opiniões de Satyananda sobre
o carma. Derivada da raiz “kri” que significa “trabalhar”,
a palavra carma indica a lei de causa e efeito, na qual todas
as ações produzem seu próprio resultado.
Contudo, normalmente ela é utilizada para descrever
um tipo de dívida pelas ações de uma
pessoa a serem sanadas ou pagas num tempo futuro. Além
disso, existem o carma individual e o social ou coletivo,
porque as ações podem ser executadas por uma única
pessoa, por um grupo ou por toda a sociedade. Satyananda
também distingue o carma individual, o qual se origina
nas próprias encarnações passadas de
uma pessoa, e aquele derivado de seus parentes e antecessores.
Assim, existem três principais categorias de débito
cármico: a) o resultante das encarnações
passadas do indivíduo; b) o herdado de seus familiares;
c) o resultante das ações de sua sociedade
ou de seu grupo social. Todos esses fatores contribuem para
formar o carma de uma pessoa; é preciso dedicar-se
a ele; é impossível evitá-lo.
Os três chakras inferiores - muladhara, svadhishthana
e manipura - relacionam-se diretamente com os sentidos e
com a consciência que governa o corpo físico
e sua conservação. Funcionando dentro de um
mundo fenomênico, a mente desses três chakras
está vinculada à lei do carma. Em outras palavras,
neste nível o jiva (alma individual) não está livre
da relação causal entre as ações
e suas conseqüências, suas funções
dependem do carma, e estão ligadas a ele. Independentemente
de sua origem, se ela está nas vidas passadas do indivíduo
ou nas ações da sociedade à qual ele
pertence, o carma comanda totalmente o indivíduo nos
níveis do muladhara e do svadhishthana, até ser
de alguma forma esgotado ou purificado. Porém, no
nível do manipura, o uva começa a assumir um
controle parcial, e pode, até certo ponto, agir sob
sua própria vontade.
Em contrapartida,
a maneira de ser do chakra anahata transcende completamente
o reino da existência mundana. Ao contrário
dos outros três, ele não está subordinado
ao carma desse mundo. Além disso, uma pessoa com o
chakra anahata ativo pode receber diretamente as tarefas
do carma terreno, e ao mesmo tempo livrar-se dele. Neste
nível, o jiva tem condições de controlar
o carma terrestre e exercer sua própria vontade na
terra, de modo a realizar todos os seus desejos. Esta é a
maior diferença entre o anahata e os chakras inferiores.
Nos níveis inferiores a alma individual simplesmente
aceita o que as circunstâncias cármicas oferecem;
no anahata, entretanto, ela pode fazer valer sua própria
vontade. Este poder de cumprimento dos desejos é simbolizado
pela “árvore do desejo” - uma planta sempre
verde chamada Kalpavriksha - ilustrada dentro de um outro
lótus semelhante, abaixo do anahata no diagrama simbólico.
Embora esteja presente em todas as pessoas, esta árvore
funciona apenas quando o chakra anahata é desperto.
Quando uma pessoa desenvolve este poder, dizem que todos
os seus desejos são realizados, sejam eles bons ou
maus. Portanto, Satyananda faz as seguintes advertências:
Antes de tentar despertar
o chakra anahata, é imprescindível
desenvolver a capacidade de corrigir os pensamentos e os
conceitos. Os maus pensamentos e os maus julgamentos tendem
a criar desarmonia e conflitos, principalmente quando uma
pessoa com o anahata desperto tem pensamentos errôneos
e deseja que se cumpram.
Além do mais, deve-se manter uma atitude de constante
otimismo. É preciso compartilhar a paz interior e
a harmonia com as outras pessoas, independentemente de qualquer
perturbação, conflito ou intenção
maliciosa encontrada. A negatividade e o pessimismo são
obstáculos para o despertar do anahata. Portanto,
ate uma pessoa hedonista ou um assassino devem ser tratados
como pessoas boas; condições negativas tais
como pobreza, doença, conflito emocional, etc., devem
ser consideradas, enfim, como fatores benéficos. Na
realidade, o desenvolvimento de tal atitude constantemente
positiva é considerado um método para despertar
o anahata. Segundo Satyananda, também é importante
manter o seguinte pensamento: “Todo o mundo está dentro
de mim. Eu estou em todas as pessoas. Todas as pessoas estão
em mim.” Essa sua recomendação baseia-se,
provavelmente, na crença hindu de que Brahman, o ser
absoluto do cosmos, mora no chakra anahata como Atman, o
verdadeiro ser individual. Brahman e Atman são, na
essência, os mesmos. De fato, essa concepção é importante
tanto para despertar o anahata como para a realização
do Absoluto universal.
Satyananda também adverte seus discípulos
dizendo que, em geral, depois do despertar e da ascensão
do shakti kundalini até um determinado chakra, quando
surge na mente do praticante algum pensamento negativo ou
atitude pessimista, a kundalini retoma ao muladhara. Se nesta
altura ela chegou até o manipura e depois retomou,
poderá ser elevada novamente através da ioga
ou de outras práticas espirituais. Entretanto, se
ela retomar depois de ter atingido o anahata, dificilmente
será elevada de novo. Deve ficar bem claro que aqueles
que desejam despertar o anahata não podem, em momento
algum, perder o otimismo, independentemente das circunstâncias
que encontrarem. Portanto, toda pessoa que pretenda despertar
a kundalini deve levar essas advertências a sério.
São muitas as habilidades paranormais resultantes
do despertar do chakra anahata: a capacidade de controlar
o ar (vayu); o desenvolvimento de um amor cósmico,
completamente livre do individualismo; a eloqüência,
passa a caracterizar o praticante dotando-o de um certo gênio
poético; e, conforme mencionamos anteriormente, adquire-se
o poder de realizar todos os desejos. O anahata controla
o sentido do tato. Quando desperto, este sentido toma-se
cada vez mais sutil, podendo-se perceber até a matéria
astral, através do sentido do tato astral. Essa sensação
pode então ser comunicada aos outros. Portanto, a
parte do corpo relacionada com o anahata é a pele,
e seu principal órgão ativo são as mãos.
Além dessas habilidades paranormais mencionadas por
Satyananda, desenvolvem-se poderes de cura psíquica.
O prana pode ser transmitido pelas palmas das mãos
para uma parte doente do corpo de outra pessoa. A famosa
técnica de “imposição das mãos” está possivelmente
relacionada com a estreita conexão entre o anahata
e as mãos. Desenvolvem-se também poderes psicocinéticos.
O lótus do chakra anahata possui doze pétalas
vermelhas, onde estão inscritas as letras Kam, Khan,
Gam, Gham, Ngam, Cham, Chham, Jam, Jham, Nyam, Tam e Than.
O tattva correspondente é vayu (ar ou vento) simbolizado
por uma estrela hexagonal, yantra do anahata. Conforme já mencionamos,
o triângulo invertido representa o shakti, a forma
material, enquanto o triângulo em pé representa
Shiva, a consciência. O yantra possui uma cor enfumaçada,
e o bija mantra é Yam. Apoiado nas costas de um antílope
preto, é um símbolo de vivacidade. Satyananda
afirma que o mantra Om Shanti (shanti significa paz interior)
pertence ao anahata. A divindade feminina é Kali (ou
Kakini); ela está adornada com um colar de ossos humanos.
A entidade masculina é Isha ou Rudra.
O anahata possui o
granthi Vishnu (nó). Conforme
mencionamos antes, os chakras que possuem granthis (muladhara,
anahata e ajna) têm uma importância especial.
Apenas depois de ativados e de estes nós serem desatados é que
a kundalini poderá prosseguir no processo de evolução
espiritual.
5º - CENTRO LARÍNGEO – VISHUDDHI
No corpo físico, o chakra vishuddhi localiza-se na
garganta, correspondendo diretamente à glândula
tireóide; ele está relacionado com os plexos
nervosos da faringe e da laringe. “Vishuddi” deriva
da palavra “shuddhi” que significa “purificar”;
portanto, é considerado o chakra da purificação.
Ao contrário dos chakras ajna e manipura, onde ocorre
a purificação dos pensamentos e do carma, tem-se
o vishuddhi como capaz de purificar o próprio veneno.
A natureza dessa purificação pode ser explicada
da seguinte maneira:
Na ioga tântrica diz-se que a lua expele Ambrósia,
consumida pelo sol do manipura. Neste caso, a lua se refere
ao cérebro, a região do sahasrara, geralmente
simbolizado por uma lua ou uma meia-lua (talvez corresponda
aos ventrículos do cérebro) tanto no Hinduísmo
como no Taoísmo. Esta Ambrósia ou néctar
divino que o cérebro segrega flui pelo manipura, onde é consumido
como se fosse um combustível de sustento da vida.
O néctar segregado pelo sahasrara tem forma de gotas
no bindu visargha, o “ponto” psíquico
atrás da cabeça (ver a próxima seção).
Ele goteja num chakra menor, chamado lalana, na parte superior
do epiglote ou na base do orifício nasal, que funciona
como um reservatório desse néctar. É segregado
quando se praticam mudras do tipo khechari, e então
desce para o chakra vishuddhi. Se este chakra foi ativado,
o néctar sofre uma purificação, tomando-se
um néctar divino que rejuvenesce o corpo, ocasionando
boa saúde e longevidade. Contudo, dizem que se o vishuddhi
não estiver ativado, o néctar transforma-se
em veneno e desce pelo corpo; passa então a envenená-lo
vagarosamente, levando-o ao enfraquecimento e por fim à morte.
Segundo Satyananda,
o chakra vishuddhi ativado possui também
o poder de neutralizar venenos que provêm de fora do
corpo. Na realidade, a glândula tireóide, que
corresponde diretamente ao vishuddhi no corpo físico, é reconhecida
clinicamente por exercer uma função de desintoxicação.
O despertar do chakra
vishuddhi resulta em poderes telepáticos.
Apesar de, às vezes, o telepata achar que recebe o
pensamento das outras pessoas pelo manipura ou por qualquer
outro lugar, o verdadeiro centro de percepção é o
vishuddhi. A partir dele, as ondas de pensamento são
transmitidas para outros centros, no cérebro ou em
outro lugar, onde ocorre o reconhecimento consciente. Juntamente
com o muladhara, o vishuddhi é a fonte de todos os
sons básicos: dizem que os sons vocálicos se
originam nele, conforme inscrito nas pétalas do chakra.
Outras habilidades paranormais relacionadas com ele são:
a indestrutividade, o completo conhecimento dos Vedas - os
textos sagrados que contêm a Lei do Universo -, a capacidade
de conhecer o passado, o presente e o futuro, e a habilidade
de permanecer dias sem comer nem beber (ver a próxima
seção sobre bindu).
As dezesseis pétalas do vishuddhi, de cor lilás-acinzentada,
possuem inscritas as letras: A, A, I I U, U, R, R, L, L,
E, Ai, O, Au, Am e Ah. Seu tattva é o espaço
(akasha), representado por um yantra oval ou circular. O
bija mantra é Ham, que está em cima de um pequeno
elefante branco dentro de um círculo. A divindade
feminina é Shakani, e a masculina Sadashiva. O vishuddhi
associa-se ao sentido da audição, portanto,
seus órgãos de conhecimento e atuação
são respectivamente os ouvidos e as cordas vocais.
Satyananda não considera o sahasrara como um chakra
propriamente dito. Ele afirma que os chakras operam dentro
da psique humana, manifestando-se em níveis diferentes.
O sahasrara, porém, é a totalidade além
da individualização. Por este motivo, não
aparece descrito no Tantra of Kundalini Yoga. Todavia, o
bindu está exposto da seguinte maneira:
BINDU VISARGHA
Bindu significa “gota” ou “marca”,
e bindu visargha quer dizer, literalmente, “queda da
gota”. Visto que “gota” se refere ao néctar,
esta frase ficaria mais significativa como sendo “a
sede do néctar”.
Segundo a tradição, o bindu localiza-se perto
do topo do cérebro, na direção da parte
posterior da cabeça. Nesse local, existe uma ligeira
depressão, onde se concentra uma pequena quantidade
de secreção líquida. Dentro desta depressão
existe uma elevação mínima, localização
exata do bindu na estrutura fisiológica. Os nervos
cranianos partem deste ponto, inclusive os nervos ligados
ao sistema óptico.
O processo pelo qual
o néctar é segregado
pelo bindu, estocado no chakra lalana no orifício
nasal, e purificado pelo chakra vishuddhi foi descrito na
seção anterior. O bindu e o lalana são
mais bem interpretados como pequeninos centros psíquicos
ligados diretamente ao vishuddhi. Esses pequenos centros
não podem ser ativados independentemente deste chakra
superior. Por isso, apenas os seis chakras superiores, desde
o muladhara até o ajna, são denominados “chakras
do despertar”.
À medida que o néctar divino, purificado pelo
harmonioso funcionamento do bindu, lalana e vishuddhi, começa
a descer e atingir todo o corpo, ocorrem fatos extraordinários.
Por exemplo, uma pessoa é capaz de viver por longos
períodos sem ar, sem comida e sem água. Há casos
documentados de iogues que permaneceram enterrados durante
quarenta dias, sobrevivendo voluntariamente num estado de
hibernação, e depois se recuperaram por completo.
Isso torna-se
possível através da prática de um tipo
especial de mudra khechari, no qual o tendão debaixo
da língua é rompido gradualmente durante um
período de dois anos, até que possa ser enrolado
na epiglote para vedar a passagem respiratória. Isso
estimula diretamente o centro lalana; nesse caso, o néctar
desce para o vishuddhi, onde é purificado e distribuído
por todo o corpo, fornecendo oxigênio e demais nutrientes
necessários para a sustentação da vida.
O bindu é induzido a produzir mais néctar e,
ao mesmo tempo, a necessidade que o corpo tem de ar, comida
e água é drasticamente reduzida. Acredita-se
que o néctar flui lentamente pelo metabolismo do corpo
e, de fato, os iogues enterrados não apresentaram
crescimento dos cabelos.
Em nosso instituto,
em Tóquio, elaboramos experimentos
que confirmam a afirmação de que o chakra vishuddhi
desperto, juntamente com o bindu e o lalana, torna possível
o controle consciente do metabolismo, da respiração,
da necessidade alimentar, da digestão, etc. (Para
maiores detalhes, ver meu trabalho “Westem and Eastem
Medical Studies of Pranayama and Heart Control”, no
Vol. 3, no. 1, de Journal of the International Association
for Religion and Parapsychology.) Segundo Satyananda, o bindu
controla a percepção visual. Os nervos cranianos
ligam-no ao sistema óptico. Por esse motivo, qualquer
irregularidade no bindu pode causar distúrbios visuais.
O bindu é o centro do nada, ou o som psíquico.
Quando o vishuddhi e o bindu são ativados através
de práticas como Navamukhi mudra (Capítulo
IV), vajroli mudra (Capítulo IV), ou murcha Pranayama
(Capítulo III), ouve-se um som imaterial contínuo
composto de inúmeras vibrações agudas.
Essa experiência aponta a exata localização
do bindu. Por não ser exatamente um chakra, o bindu
não é representado por um lótus ou
por divindades residentes. Seu símbolo é uma
lua cheia -representa o ponto onde começa a individualização
- e também uma lua crescente, indicando o fato de
que apenas uma parte da totalidade infinita existente no
sahasrara se manifesta, tomando-se perceptível para
o praticante no nível do bindu. Ambas, a pequena mancha
(a lua cheia) e a lua crescente, podem ser observadas no
canto superior direito de algumas versões convencionais
dos caracteres OM.
6º - CENTRO FRONTAL OU CEREBRAL – AJNA
Satyananda aconselha
ao praticante ativar o chakra ajna antes de qualquer outro.
Justifica dizendo que, uma vez desperto, este chakra tem
o poder de anular o carma; dessa forma ele ajuda a diminuir
os perigos que podem surgir quando o carma dos chakras
inferiores é ativado. A seguir, apresento
um resumo de seu parecer sobre o chakra ajna.
Derivada originalmente
das raízes sânscritas,
com o sentido de “saber” e de "seguir",
a palavra ajna significa “comandar”. Por esta
razão, o termo ajna é freqüentemente utilizado
como “centro de comando”, o qual recebe orientações
de um guru (veja a seguir). Localiza-se no ponto em que os
três nadis principais (ida, pingala e sushumna) se
fundem para formar uma única passagem, que continua
a subir até o chakra sahasrara. Parte da combinação
da energia vital aqui reunida, provinda dos três nadis,
flui para o sahasrara, enquanto o restante se dispersa pelos
corpos físico, astral e causal. No chakra ajna os
três nadis formam o Rudragranthi ou o “nó de
Shiva”, o terceiro dos “nós” psíquicos
que devem ser desatados para que a kundalini se eleve até o
sahasrara. No corpo físico, o ajna relaciona-se diretamente
com a glândula pineal e com o ponto entre as sobrancelhas,
ponto este freqüentemente escolhido para a concentração
neste chakra.
O chakra ajna localiza-se
na extremidade oposta do sushumna com relação ao chakra muladhara, e qualquer
alteração ocorrida num reflete instantaneamente
o mesmo efeito sobre o outro. Os símbolos contidos
nesses dois chakras também se assemelham: ambos possuem
um triângulo invertido, o símbolo da força
geradora ou criadora.
A concentração no ajna coloca o praticante
em contato com grandes forças existentes nos nadis
ida, pingala e sushumna, levando-o a profundas alterações
psíquicas e à purificação da
mente. Uma vez alcançada tal purificação,
o iogue pode praticar com segurança a concentração
nos demais chakras. Entretanto, se este estágio não
for cumprido com rigor, o praticante correrá grandes
perigos devido à ativação do carma acumulado
nos outros chakras, especialmente no muladhara, considerado
o maior depósito de carma, Com o chakra ajna ativo,
o praticante é capaz de manter a calma sem ser afetado
quando essas forças são desencadeadas.
Ao ativar-se o chakra
ajna, o praticante entra em contato com a consciência superior através da liberação
do grande acúmulo de energia latente na glândula
pineal. (Observe que Satyananda associa o ajna com a glândula
pineal, enquanto Leadbeater o associa com a glândula
pituitária.) “Contato com a consciência
superior” pode parecer uma concepção
um tanto vaga, e de fato trata-se de um assunto um pouco
difícil de explicar. Refere-se ao contato direto com
o “guru interior” - ou seja, uma fonte inata
de profundos conhecimentos e uma grande ciência existente
no interior do chakra ajna de todas as pessoas. Também é possível
entrar em contato com o “guru exterior” - o anjo
da guarda das pessoas. Quando o praticante entra num estado
de concentração profunda, a autopercepção
e a consciência do ego desaparecem temporariamente;
assim, ele pode ouvir a voz do guru interior e do exterior.
Por esta razão, o chakra ajna é conhecido como “centro
de comando”. Comunicações telepáticas
e percepção de clarividência também
podem ser desenvolvidas com o despertar do chakra ajna. No
interior do círculo do diagrama que representa o chakra
ajna existe um triângulo invertido. Ele simboliza o
criador, a força mãe, a força material
e a manifestação. Em contrapartida, o triângulo
em pé (como o encontrado no yantra do chakra anahata,
Y representa a consciência-percepção
inativa. Dentro do triângulo, atrás da letra "3",
existe uma forma de coluna, conhecida como linga. Embora
o linga seja convencionalmente visto como um símbolo
fálico, Satyananda afirma que na ioga tântrica
ele é primariamente um símbolo do corpo astral,
denominado linga sharira em sânscrito. O círculo
simboliza o shunya, o vazio. Trata-se de um dos três
atributos do samadhi, o estado de superconsciência.
Os outros são chaitanya(consciência completamente
ativa) e ananda (glória). O estado de shunya permanece
inacessível para aqueles cuja consciência esteja
confinada aos limites de tempo e espaço.
O corpo astral pode
ser observado extra-sensorialmente em três formas, representado por Shiva-lingas nos chakras
muladhara, ajna e sahasrara. No muladhara, ele é visto
como uma coluna de gás cinzento inconstante. À medida
que nossa concentração se aprofunda, o corpo
astral aparece bem escuro (preto) no chakra ajna. Com uma
concentração contínua, este Shiva-linga
toma-se iluminado, como uma luz brilhante no sahasrara. Esses
três estágios são conhecidos como consciência
astral indistinta, escurecida e luminosa, o que representa
a purificação e a evolução progressiva
da mente. A sílaba OM, o mantra bija do chakra ajna,
localiza-se no interior do círculo; trata-se do símbolo
da superconsciência. Acima da lua sobreposta e do bindu
(um ponto) existe a cauda esguia, que representa a parte
mais sutil da consciência. As duas pétalas localizadas
a cada lado do circulo encerram as sílabas Ham e Ksham,
os mantras bija de Shiva e de Shakti, respectivamente. Satyananda
vê a aura do chakra ajna de cor cinzenta, apesar de
admitir que os outros pesquisadores a descreveram como transparente.
Leadbeater, por outro lado, afirma que o ajna emite uma aura
de cor violeta-escura. Tais descrições assemelham-se
no que diz respeito às cores escuras; as ligeiras
diferenças podem ser atribuídas ao fato de
Satyananda referir-se à aura existente na dimensão
astral, ao passo que Leadbeater descreve a aura etérica.
7º - CENTRO CORONÁRIO – SAHASHARA
Coquet esclarece que
se lhe dá também o nome
de Brahmarandhra, cuja verdadeira tradução
significa "orifício divino e representa a haste
do chakra coronário ou, para ser preciso, a fontanela
etérica por onde escapa a alma no momento da transição".
Está situado na parte superior da cabeça.
A aura colocada sobre a cabeça dos santos corresponde
ao Sahasrara. Ele é composto de duas partes: a parte
central com doze pétalas maiores, menos ativa, e outra
ao redor desta com novecentos e sessenta pétalas menores,
vibrando com incrível rapidez. Ao contrário
dos demais chakras que, ao desabrocharem, voltam-se para
o alto, o coronário mantém sempre a sua posição
invertida.
É o mais luminoso dos chakras. Leadbeater descreve-o
como possuidor de indescritíveis efeitos cromáticos,
parecendo conter todos os matizes do espectro, embora seja
o violeta a cor predominante; a parte central é de
um branco fulgurante com um núcleo cor de ouro. Coquet
ensina que ele surge como um maravilhoso sol, branco brilhante
de mil flores douradas. O Shatchakra- Nirupana descreve-o
como tendo a cor de um jovem sol, portanto o branco brilhante.
Motoyama indica-o como um disco de cor de ouro ou de luz
rosada. Os livros hindus denominam -no o "lótus
de mil pétalas", de cor branca e com a corola
voltada para baixo, cerca de quatro polegadas acima da parte
mais alta da cabeça. O chakra coronário não
está relacionado com nenhum plexo e sim com a glândula
pineal. A respeito, Leadbeater destaca a existência
de uma diferença de acordo com os tipos de indivíduos.
Em muitos deles "os vórtices do sexto e do sétimo
chakras astrais convergem ambos ao corpo pituitário,
que em tal caso é o único enlace direto entre
o corpo físico denso e os corpos superiores de matéria
relativamente sutil". (...) "Mas outros indivíduos,
embora ainda aliem o sexto chakra com o corpo pituitário,
inclinam o sétimo até o seu vórtice
coincidir com o atrofiado órgão chamado glândula
pineal, que, em tal caso, se reaviva e estabelece ligação
direta com o mental inferior sem passar pelo intermediário
comum do astral".
A tela etérea pode ser rompida com o efeito do tabagismo,
do álcool e de outros psicotrópicos. Esta tela
etérea tem a função de proteger o indivíduo
contra o assédio de entidades maléficas. Estas
substâncias se vitalizam e passam para o plano astral,
por intermédio doa chakras, rompendo com isto a tela
protetora - etérea - que a natureza mantém
fechada contra a comunicação ou influência
perturbadora de alguns espíritos. vai ver a sabedoria
da Igreja e de outras sociedades esotéricas e esotéricas,
ao proibir o uso de bebidas, tabagismo, psicotrópicos,
visa a proteção da tela etérea, evitando,
assim, o seu atrofiamento. O estudante do ocultismo deve
livrar-se do tabagismo, do alcoolismo, de psicotrópicos,
e pode, na senda da evolução, esperar que as
faculdades psíquicas se atualizem no tempo devido,
sempre numa conduta moral inabalável.
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